Jogos de Personagem & Cartões de Crédito

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A Revista Unibanco surgiu no início da década de 80 como meio de divulgação dos serviços prestados pela empresa de cartões de crédito UNICRE. Nas suas páginas encontra-se a primeira e única vez que em Portugal foi feita publicidade a jogos de personagem num meio de comunicação de massas.

Trata-se de uma das primeiras publicações nacionais que hoje descreveríamos como “de lifestyle”, e a complementar a divulgação cultural e a promoção de um estilo de vida mais ou menos luxuoso encontrava-se nas suas páginas um catálogo de produtos com compra por correio.

A sua tiragem chegou às largas dezenas de milhares de exemplares, com distribuição gratuita para todos os clientes da empresa. Sobretudo nos primeiros anos, a revista promoveu uma série de clubes temáticos, com âmbitos tão variados (dentro do tom geral relativamente elitista) como a microinformática, os livros, a caça, o Bridge, o turismo e as viagens, etc.

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Entre 1991 e 1993, contou também com um clube de jogos, dedicado aos jogos de “simulação e reflexão”. A iniciativa parece ter sido gerida quase inteiramente pelo CJS – Clube de Jogos de Simulação, em parceria com a Loja York Plus (das Galerias York), já que os leitores interessados eram para lá encaminhados caso desejassem aderir às suas actividades.

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Antes disso, nos primeiros meses de 1990 e a coincidir com o lançamento da edição da caixa vermelha de D&D, publicou-se um primeiro artigo de fundo sobre a nova “modalidade lúdica” que chegava ao país. O texto tem a interessante particularidade de identificar de forma inequívoca os RPG como jogos de “simulação”, cuja principal diferença dos wargames não seria mais do que a representação de interesses individuais, nos primeiros, e colectivos, nos segundos. De facto, os jogos de personagem são descritos como uma espécie de parente sonhador dos jogos de estratégia militar, realçando a linhagem muito directa com as origens dos RPG.

Como sempre neste tipo de textos de apresentação, a preocupação pedagógica – mais ou menos bem-sucedida – é evidente. O artigo encontra-se assinado pela Cooperativa Cultural Frente, a associação responsável pelo CJS, reforçando a ligação entre o clube e a revista. É ainda feita referência ao efémero Clube de Jogos SocTip, o ponto de venda e de demonstrações da edição portuguesa de D&D.

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Nos números que se seguiram, a enfâse da rubrica mudou para os jogos de tabuleiro, com destaque para as importações disponibilizadas pelos revendedores lisboetas (Loja Pick Up, Loja York e CJS), e, em 1992, os títulos traduzidos e editados pela Imperium Jogos, Battletech e Imperium.

Sobre RPG, após as referências iniciais, só se volta a escrever quase três anos mais tarde, no número de Junho-Agosto de 1993, desta feita para anunciar a quarta edição inglesa de D&D básico, que fora há pouco lançada nos EUA. A ausência dá-nos mais um indício sobre a vida comercial passageira e atribulada da edição portuguesa da caixa vermelha, a que já tinha aludido num post anterior.

Disponibilizo apenas o primeiro e mais longo artigo, já que os restantes, por se tratar, na essência, de anúncios, têm pouco conteúdo original e interessante.

Revista Unibanco, N.º 37, Dezembro 1989-Fevereiro 1990, pp. 46-49.

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