Está alguém aí? A comunidade nos anúncios

Hoje, em 2017, tanto curiosos não-iniciados como jogadores veteranos têm à sua disposição uma panóplia de instrumentos de comunicação que lhes permite manterem-se em rede e continuamente informados sobre todas as iniciativas de jogo. Na década de 80, claro, a história era outra.

Antes da popularização da Internet, um dos principais desafios de qualquer comunidade emergente de jogadores encontrava-se na capacidade de se dar a conhecer e de chegar a públicos mais alargados. Assim, se os clubes e algumas lojas chegavam a representar uma espécie de arquipélagos interligados, subsistiam ainda muitas outras ilhas isoladas, apartadas umas das outras.

Em todos os países onde existia imprensa especializada, a via tradicional para evitar esta insularidade era o recurso aos anúncios classificados em revistas ou fanzines, que funcionavam como ponto de encontro e esteio das pequenas comunidades. À falta de melhor, mesmo sabendo que o sucesso seria improvável, procurar o contacto através de publicações estrangeiras podia afigurar-se, de facto, a única solução promissora.

White Dwarf 52, Abril 1984, p. 45
White Dwarf 52, Abril 1984, p. 45

Antes de se transformar no órgão oficial da Games Workshop, a revista White Dwarf acolhia nas suas páginas artigos sobre todo o tipo de RPG. Na página de classificados do N.º 52 (Abril 1984), lê-se o apelo de um jogador de Elvas (!), que procura companheiros deste ou do outro lado da fronteira para discutir jogos de temática fantástica, por telefone ou por carta. Este último pormenor dá ao anúncio um certo ar de resignação implícita, de quem prefere o diálogo de longa distância ao monólogo solitário, apesar de não ser incomum a busca por pen pals cúmplices, outro artefacto do final do século passado agora perdido.

Dragon 131, Março 1988, p. 4
Dragon 131, Março 1988, p. 4

Por sua vez, no final da década de 80, e durante algumas dezenas de números, a veneranda Dragon publicou uma secção chamada “The World Gamers Guide”, exclusivamente dedicada a permitir que jogadores situados fora dos Estados Unidos (incluindo militares destacados) pudessem encontrar parceiros de jogo.

Pouco antes do cancelamento da rubrica, um esperançoso oeirense publicitou o seu interesse por D&D. É provável que o anunciante, apesar da proximidade geográfica, não conhecesse os clubes lisboetas, em particular a Torre do Necromante, que se encontrava nessa altura em funcionamento.

Obrigado ao Jon Peterson pela referência da White Dwarf.

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