Lançamento da edição portuguesa de D&D (1989)

A edição portuguesa da famosa caixa vermelha de Dungeons & Dragons assinala a maior iniciativa editorial na área do RPG até hoje encetada no nosso país.

Trata-se da tradução daquela que é habitualmente conhecida como a versão Mentzer, de 1983, a terceira revisão das regras básicas e, provavelmente, a encarnação mais popular de D&D até 2000 (isto é, do período pré-3ª edição). Aliás, a capa da autoria de Larry Elmore, que mostra um guerreiro enfrentando um dragão vermelho, é geralmente tida como uma das mais icónicas de todo o imaginário do jogo.

No Natal de 1989, pouco mais de 15 anos depois do aparecimento dos RPG, foi publicada a primeira e única tradução portuguesa de D&D, com a chancela da SocTip, uma empresa tipográfica que recentemente decidira diversificar a sua actividade entrando no mercado editorial pela via das edições de luxo dedicadas a artistas nacionais. O principal responsável pela obra foi o editor e tradutor José Hartvig de Freitas, actualmente uma figura de destaque no mundo editorial português de banda desenhada.

A aposta nos jogos de personagem, ainda que se tratasse do bestseller internacional (o que, considerando que falamos de um mercado de nicho, tem um valor relativo) não deixa de ser relativamente insólita, sobretudo do ponto de vista da coerência de catálogo. Deu lugar a um percurso editorial curto e atribulado, que será tratado com mais pormenor noutra ocasião.

A divulgação do jogo em Portugal beneficiou, no entanto, de ter sido a SocTip a receber a licença de edição; foi possível aproveitar a infra-estrutura comercial (e, supõe-se, de produção) de uma empresa dedicada a serviços gráficos, com vantagens imediatas que estariam vedadas a editoras tradicionais.

Assim, o centro de cópias da SocTip, situado na R. D. Estefânia, em Lisboa, cumpriu a dupla função de, por um lado, providenciar um espaço, a que a publicidade da época se refere como “Clube de Jogos SocTip”, para realizar demonstrações públicas de D&D; e, por outro, servir de ponto de venda não apenas para as edições portuguesas, mas também para diversos outros jogos, acessórios e romances, importados directamente da TSR, a editora-mãe norte-americana.

As fotografias que agora se partilham dizem respeito à festa de lançamento, que decorreu no centro de cópias, no final de 89. Por entre as mesas de demonstração e os expositores recheados, sobressaem os olhares curiosos dos convivas, adolescentes e adultos, muitos dos quais estariam seguramente a entrar pela primeira vez em contacto com o universo dos RPG.

Para além das estrelas do dia, a caixa com as Regras de Base e o módulo Colina do Terror, vêm-se nas imagens diversos suplementos, em versão original, de D&D e AD&D, dados e miniaturas, assim como alguns produtos de Marvel Super Heroes e Top Secret/S.I., à época dois dos jogos da TSR mais promovidos pela editora, a seguir, claro, à família D&D. Mais nenhum título viria a ser publicado em Portugal, apesar de, neste momento, ninguém o suspeitar.

Obrigado ao José Hartvig de Freitas pelas fotografias.

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